domingo, 6 de setembro de 2009

Uma exceção.

Agora que parece que está bem, me veio aquela estranha sensação de estar perto de você. Não, seria melhor dizer a de estar longe. Aquela esperança agonizante que me faz sempre esperar que você esteja lá, que sorria e diga que estará tudo bem. Acho que para você eu sempre fui boa demais com as palavras, sempre pronta para te explicar. Mas eu não me sinto pronta, ainda não estou pronta. Eu já não te seguro em mim, eu já não te obrigo a permanecer em minha mente a todos os momentos e todos os segundos. Aquela menina assustada que chorava por horas dentro do banheiro trancado, esperando alguma coisa acontecer por si só. Você deveria esperar mais de mim não é? Esperava que eu fosse forte o suficiente para te deixar ir. Você talvez tenha feito assim. Não é como se eu fosse sentir isso para sempre, é apenas uma recaída irônica que me vieram trazer. Uma lembrança boba que traz à tona sentimentos que eu já tinha esquecido sentir. Sim, quando mencionavam fatos corriqueiros não me vinha mais seu nome em minha cabeça. Você se foi aos poucos para o fundo do meu coração. Não nego que ainda está aqui, mas é tão pouco que não me obriga mais sentir, talvez seja essa dormência que tenha me feito estar viva no momento. Essa dormência boa que me traz uma segunda chance de seguir em frente, agora sem você para me impulsionar. Acho que ainda não te deixei ir completamente, não é? Meus olhos, sinto que eles estão ardendo, mas não se preocupe, não deixarei que isso continue. Foi somente por agora que deixei minhas lembranças claras e meus sentimentos concretos em meu corpo. Logo virá a sanidade ou talvez apenas a razão para me fazer te jogar mais uma vez no lindo acaso que é o passado. Apenas para mais uma vez me despidir de você, como nos velhos tempos em que eu tentava e sempre voltava para dizer que diria adeus mais tarde, que por aquele momento eu ficaria, sempre um pouco mais. Agora eu volto sempre para dizer que direi adeus, dizendo assim. É, você sabe, eu sou confusa assim.

Um comentário:

  1. Tudo o que escreve é tão sereno, doce, adorável. Soa de modo quase imperceptível, porém sincero. E é isso o que eu mais admiro em suas palavras, a bondade, o amor, a vontade de querer sempre mais, de nunca desistir de amar, talvez. Parabéns por tudo o que escreve, por tudo o que você é. Eu te amo, ♥

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